Sempre fui aficionado em conhecer e experimentar softwares novos. Ainda criança, um dos meus passatempos preferidos era passar o fim de semana (em uma conexão discada de 14.4 Kbps) navegando entre as seções, principalmente de Rede e Internet e Utilitários, do Superdownloads - que pasmem, existe desde 1998. Não demorou para que eu descobrisse em quais condições os softwares eram ali distribuídos: havia versões de demonstração (Demo), assim como as pagas porém gratuitas para testar por tempo limitado (Shareware). Destas, a categoria que mais me atraia era a dos gratuitos sem limitação de tempo ou funcionalidade: os Freeware.

Foi nesta época que conheci softwares como o mensageiro multi-protocolo Miranda IM (que na época provavelvemente ainda se chamava Miranda ICQ, nome que foi mudado no final de 2002). Ele não é freeware e sim opensource, mas vale a pena citá-lo por conta de um bug extremamente curioso (e irritante) das primeiras versões: às vezes, quando utilizado com o protocolo do MSN (mais tarde chamado de Windows Messenger), ele perdia a habilidade de enviar mensagens mas as continuava recebendo. Se estivesse, por exemplo, discutindo com alguém, a pessoa poderia te xingar repetidamente e te chamar de covarde… E você nada poderia fazer.

Nestas incursões no mundo dos softwares freeware, conheci muitas alternativas bacanas (todas para Windows), como o Resource Hacker, que permite editar arquivos executáveis, e o Spybot Search & Destroy, removedor de adwares/spywares. Tenho um grande carinho pelos softwares da AnalogX, em especial, por terem criado exemplares pequenos porém de grande utilidade, como o AnalogX Capture, AnalogX Proxy e AnalogX Vocal Remover. O mais importante a ser destacado aqui é que estes softwares citados são exceções, por terem se mantido funcionais e sem pegadinhas através do tempo.

O grande problema com os softwares freeware, que pode não estar aparente, é seu modelo de negócio. Se é um produto grátis, sem custo para o usuário final, quem banca seu desenvolvimento, distribuição e manutenção? É justamente ao se tentar gerar receita com estes programas, normalmente depois de já serem conhecidos pelo público, é que o processo desanda. O μTorrent, por exemplo, tentou adicionar anúncios e chegou a instalar um minerador de criptomoedas, em uma tentativa desesperada de gerar receita.

Alguns casos mais graves, como o do BS Player, chegaram a impossibilitar sua utilização caso o usuário removesse os adwares que acompanhavam o instalador. A situação fica ainda mais crítica quando isto se torna tão corriqueiro que as pessoas simplesmente se conformam, como foi o caso de um amigo e colega de trabalho. Ele me disse que usava o KMPlayer, mas que parou quando o instalador passou a adicionar um monte de porcarias indesejadas. E qual foi sua reação? Passar a usar outro player gratuito “enquanto ele não começar a adicionar coisas inúteis ao instalador”.

A parte reconfortante desta história toda é que há uma alternativa: utilizar software livre. Pode parecer clichê ou “coisa de quem usa Linux”, mas não é. O excelente player de vídeo VLC (o “Chuck Norris” dos media players), por exemplo, roda em praticamente qualquer sistema operacional existente. Sem ter de ficar instalando incontáveis codecs (nenhuma saudade do K-Lite Codec Pack), o VLC toca praticamente qualquer arquivo de mídia existente (inclusive imagens ISOs sem precisar montá-las). E se alguém algum dia tentasse incluir anúncios ou outros softwares inúteis no instalador, com certeza outra pessoa empacotaria e distribuiria uma versão “limpa” do mesmo.