Acredito que não seja algo assim tão recente, mas ultimamente, mais do que nunca, tenho me sentido velho. Alguns poderiam dizer que estou novo pra isso, visto que ainda me encontro na faixa dos “vinte e poucos anos”, mas este é o sentimento que me acomete. Passei a notar isto quando percebi que estava me tornando cada vez mais impaciente, principalmente ao lidar com pessoas, sem necessariamente destacar um grupo específico. Este fato se torna ainda mais curioso quando lembro que, quando criança, minha avó dizia que uma das coisas que mais admirava em mim era a paciência.

Até pouco tempo atrás, uma das coisas que mais me interessava era participar de discussões. Por mais que não fossem assuntos realmente importantes, me parecia agradável discutí-los, seja “ganhando” ou “perdendo”, simplesmente porque considero construtivo o fato de que expor duas opiniões contrárias, em uma boa proporção das vezes, enriquece o intelecto dos debatentes. O próprio fato de formular afirmações ou perguntas coerentes já é um pequeno exercício intelectual. Hoje, uma das coisas que mais me empenho em fazer no dia-a-dia é evitar qualquer discussão cujo ponto central não me pareça verdadeiramente importante.

É bastante curioso o fato de nos tornarmos mais seletivos com o passar dos anos, escolhendo a dedo quem ou o que merece uma fatia do nosso tempo. Talvez seja porque depois de vivenciarmos algumas experiências, conseguimos separar com uma certa clareza o que poderia ser produtivo ou simplesmente um sangue-suga do nosso ânimo. De certa forma, este sentimento de velhice está aliado à sensação horrível de se desanimar só de pensar em determinada possibilidade ou se comprometer a realizar determinada tarefa.

Sempre acreditei que a parte reconfortante no fato de ser velho, se é que existe alguma, é a certeza de que não há muito com o que se preocupar, visto que não há muito a ser feito, já que tudo irá em breve acabar. Quem sabe seja possível fazer algo parecido enquanto a velhice ainda não tenha realmente chegado, buscando conforto em uma sensação, ainda que incômoda, capaz de trazer algum benefício se analisada por outro lado.