Ultimamente tenho pensado muito no quão crucial é o papel do tempo em minha vida e em como isto afeta as pessoas ao meu redor. Quando eu era pré-adolescente, há muitos anos atrás, não dava a mínima importância pro tempo. Se não tivesse nada pra fazer, ficava esperando pacientemente o tempo passar, sem me importar muito com o tempo “perdido”. E passar o tempo, naquela época, era algo bem difícil. As coisas só ficaram um pouco mais fáceis quando tive acesso a computadores e vídeo-games, aparelhos perfeitamente capazes de entreter uma pessoa ociosa.

Hoje em dia não tenho muito tempo livre. O último ano da graduação se aproxima e, mesmo estando de férias das aulas, trabalho o dia todo e durante a noite cuido dos meus projetos paralelos, profissionais e pessoais. Mesmo hoje, um sábado preguiçoso que poderia conter diversas horas livres, tive apenas 1h para tirar um cochilo e separei o começo da noite para escrever este texto, que, ironicamente, só não foi escrito antes por falta de tempo. E mesmo assim, não estou levando em conta que lavar o carro estava nos meus planos e isto agora é mais um item na minha lista de tarefas pendentes.

No mês passado, uma colega me pediu ajuda com um trabalho acadêmico. Disse a ela que poderia sim ajudá-la, desde que soubesse o que ganharia em troca. Ela perguntou o que eu queria e minha resposta foi: “tempo”. Ora, nada mais justo do que compartilhar parte do seu tempo com uma pessoa que já está dividindo o dela com você. Acho que no fundo ela não entendeu a profundidade do meu pedido (mesmo fazendo questão de lembrá-la da música “Give a Little Bit”, do Roger Hodgson) e acabei não recebendo muito em retribuição.

Há algumas semanas, um grande amigo que há muitos meses não o via estava chegando de viagem. Mesmo sabendo que havia um trabalho a ser apresentado na aula do próximo dia pela manhã, fiz questão de separar minha noite quase que exclusivamente para buscá-lo no aeroporto e dar-lhe as boas vindas. Passamos um tempo juntos, conversando e, principalmente, sorrindo. Quando nos despedimos, ele me agredeceu por ter separado este tempo que sabia que eu “não tinha”. Cheguei em casa após as 23h e passei o começo da madrugada terminando o trabalho, mas se eu tivesse sido reprovado nesta disciplina por conta disto, ainda sim teria valido a pena.

Alguns dias atrás, uma grande amiga me procurou durante a tarde. Ela estava muito triste e eu a disse que, se fosse preciso, sairia mais cedo do trabalho para vê-la. Comuniquei meu chefe que havia surgido uma emergência, guardei minhas coisas e fui de encontro a ela. Passamos o fim da tarde no parque, conversando e tirando fotos da paisagem. Não sei se foi o suficiente para confortá-la, mas mesmo que eu tivesse sido demitido por ter saído mais cedo no meio do expediente sem ter avisado com antecedência… Ainda sim teria valido a pena.

Por fim, lembro-me de uma citação que tive contato no texto “Three Things I’ve Learned From Warren Buffett” (em uma tradução livre):

“Não importa quanto dinheiro você tem, você não pode comprar mais tempo. Há somente 24 horas no dia de qualquer pessoa.”

– Bill Gates

É algo óbvio e que provavelmente não é novidade pra ninguém, mas é interessantíssimo saber o valor que dois dos homens mais ricos do mundo (eles foram por muito tempo o primeiro e o segundo) dão ao tempo. Acredito, inclusive, que muitas vezes este pode ser mais valioso que dinheiro.

Como diria o Millôr Fernandes: “Quem mata o tempo não é assassino… É suicida.”