Conheço um professor que hoje tem por volta de 40 anos e está no terceiro casamento. Nunca entendi porque alguém que pensasse por mais de dois minutos no assunto poderia acabar se casando, quanto mais cometer o mesmo erro repetidas vezes. Quando tive a oportunidade de perguntá-lo a respeito, sua resposta foi mais ou menos assim:

“Tiago, a medida que a gente envelhece, nossos amigos envelhecem junto. Muitos deles se casam ou por algum outro motivo não saem mais com você. Talvez você até mesmo perca contato com eles. Daí, qual opção me restou? Se não caso, fico sozinho. É claro que você pode ficar com uma ou outra mulher sem compromisso, mas isto não é companhia. Se fosse necessário, me casaria pela quarta vez.”

Neste fim de semana, saí com um velho amigo que não via há muito tempo e que hoje está se aproximando dos 30 anos. Ele não é casado, mas quando comentou que no tempo livre jogava um ou outro jogo no computador porque não saía muito ultimamente, na mesma hora me lembrei do caso deste professor. Pouco tempo atrás, meu pai, que é casado há mais de vinte anos, me perguntou se eu havia reatado o namoro recém-terminado. Quando disse que não, ele só comentou: “É… É difícil ficar sozinho.”

Por algum tempo, principalmente entre os 18 e 20 anos quando fiquei por pouco mais de dois anos sem me relacionar com ninguém, imaginei que desde que estudasse bastante e cuidasse do meu futuro profissional, minha vida jamais seria incompleta. Isso me voltou à mente quando, no mês passado, o relacionamento supracitado, qual a duração foi de dois anos, nove meses e duas semanas, chegou ao fim. Imaginei que, desde que me dedicasse à conclusão da graduação e trabalhasse como se minha vida dependesse disso, nada mais me faltaria. Ledo engano. A realidade, quando cai na sua cabeça como um tijolo, é muito mais dura do que imaginamos.

Tenho tentado viver a vida com “um dia após o outro”, sem me preocupar muito com passado e atento para alicerçar da forma mais adequada o futuro. Porém, quando reflito a respeito destes acontecimentos, não posso deixar de lembrar do texto “Grande depressão dos anos 30?” que tive contato através do meu ilustríssimo amigo Thiago de Oliveira, cujo autor é o Pedro Andrade. Nele, o autor cita o quão clichê é se deprimir aos 30 (ou pior ainda, aos 25) anos e as abordagens que cada um busca para tentar esconder isso: ir embora pra outro país, buscar religiões, drogas ou terapia, se viciar em trabalho ou… Casar e ter filhos.

Será se realmente não há felicidade na solidão?