Após muita espectativa, no primeiro final de semana deste mês de maio o Debian Wheezy (7.0) foi finalmente lançado. Não pude testá-lo de imediato, embora esta fosse minha vontade, devido a falta de tempo e um pouco de preguiça, mas dediquei boa parte do meu último fim de semana à instalação do mesmo. Como sempre acontece com mudanças entre versões de um mesmo sistema operacional, o processo foi pautado por diversas coisas boas, mas também por algumas ruins.

Primeiramente, tive de realizar um backup completo do HD do meu notebook. Não apenas por motivos de precaução, mas principalmente porque tinha a intenção de mudar completamente o esquema de partições que até então utilizava, já que até mesmo uma partição NTFS (encriptada com o TrueCrypt), dos tempos em que eu utilizava o Windows, ainda pairava por aqui. Agora praticamente todo o disco está formatado em ext4 e encriptado utilizando LUKS/dm-crypt (que são implementações livres, diferentemente do TrueCrypt que é apenas gratuito e de código fechado), com exceção da partição /boot que contém apenas os arquivos mínimos necessários para inicializar o sistema.

Ao término da realização da cópia de backup, instalei normalmente o Debian, utilizando o ISO que vem com o LXDE como desktop padrão, já que eu jamais utilizaria o Gnome 3 em sã consciência. E foi a partir desse momento que meus problemas começaram. O LXDE fornece um ambiente de desktop minimalista e agradável, mas a falta de alguns pequenos detalhes simplesmente o tornam, pelo menos pra mim, inutilizável. Os atalhos com a tecla Fn não funcionam (não sendo possível ajustar o volume ou o brilho da tela) e estou até agora sem saber como fazer para se clicar com o touchpad (o famoso “tapping”).

Após perder boa parte da manhã de sábado com estes detalhes bobos porém cruciais de usabilidade, decidi reinstalar o sistema utilizando a ISO cujo desktop padrão é o Xfce, já que o mesmo havia sido cotado para substituir o Gnome (o que acabou não acontecendo, mas já é um bom sinal). As teclas de atalho enfim funcionaram de imediato e habilitar o tapping não foi nada difícil. Dentre as desvantagens do Xfce, posso destacar particularmente o utilitário de gerenciamento de arquivos compactados, que curiosamente se chama Squeeze (mesmo nome da última versão do Debian), que é uma bela de uma porcaria. Não é possível sequer arrastar os arquivos individualmente para descompactar somente os que você quiser, o que provavelmente é a funcionalidade mais básica em qualquer aplicativo do tipo. O Clipman, gerenciador da área de transferência, possui um bug que por algum motivo acaba não limpando a mesma, deixando sempre o último registro. Substitui ambos pelo Xarchiver e Parcellite, respectivamente, e estes pequenos incômodos foram resolvidos.

Uma coisa que me deixou imensamente feliz, principalmente porque eu acreditava que nunca teria solução, foi que meus problemas com a placa de rede wireless foram solucionados. Desde que comprei meu atual notebook, no último trimestre de 2011, bastava suspendê-lo (colocá-lo para dormir) que ao retornar era simplesmente impossível me conectar novamente à rede wireless sem antes desativar e reativar a placa de rede. Não aparentava ser um problema de software (driver ou coisa do tipo), pois o mesmo acontecia tanto no Windows quanto no Linux. Agora já não sei dizer se o que ocasionou isto foi a nova versão do kernel do Linux (3.2, sendo que o último Debian utilizava a 2.6.32) ou a nova versão do firmware não-livre da Broadcom (0.36 contra 0.28), apenas posso afirmar que algo que me incomodou por muito tempo foi quase que milagrosamente resolvido.

No geral, estou muito satisfeito com a mais nova versão do Debian, qual pretendo utilizar pelo menos pelos próximos dois anos (quando o Debian 8.0 “Jessie” deverá ser lançado). É um pouco triste perceber que não vivo mais nos tempos em que eu podia simplesmente passar vários dias apenas configurando e adaptando uma nova instalação do sistema operacional às minhas necessidades (já que tive de correr pra deixá-lo pronto em menos de um fim de semana), mas a sensação de satisfação ao estar com uma cópia perfeitamente redonda de um sistema operacional absolutamente maravilhoso como o Debian é simplesmente gratificante.

Gostaria de agradecer, particularmente, a todos os envolvidos no Projeto Debian (não vejo a hora de me juntar a vocês) e ao Centro de Computação Científica e Software Livre da UFPR por fornecer o mirror primário do Debian no Brasil, qual utilizo diariamente.