Sou cliente da Oi (ou pelo menos era) há mais de cinco anos. O que me atraiu para a mesma, na época em que abandonei a extinta Telemig Celular, foram principalmente as promoções de SMS grátis (dentro do bônus diário) e a possibilidade de receber SMS direto do site. Em 2007, em uma época onde não existia WhatsApp e quem utilizava internet no celular era rico, louco ou ambos, já que nem 3G “existia” (ao menos não era nada popular), poder se comunicar através de mensagens sem gastar rios de dinheiro (até onde me lembro, cada SMS enviada custava R$ 0,39 - hoje são R$ 0,42) era meu principal objetivo ao utilizar os serviços de uma operadora de telefonia móvel.

O serviço oferecido pela Oi era entre razoável e bom. Raramente tinha problemas com sinal, a não ser nos bairros mais afastados da cidade ou em subsolos, e muito menos frequentemente eu não conseguia fazer ligações ou enviar mensagens (algo que, a levar pelos depoimentos de pessoas próximas, é corriqueiro na TIM). Estava indo tudo muito bem, até eu adquirir um smartphone na metade do ano passado e pouco tempo depois passar a sofrer com o serviço de internet por eles prestado.

No começo podia me conectar via 3G (UMTS) ou HSPA, a latência era perceptível mas não impossibilitava a navegação, e eu estava, dentro das conhecidas limitações da tecnologia, satisfeito. Vale ressaltar que a Oi tinha um problema sério, que não sei se ainda persiste, com relação à cobrança dos pacotes de dados. Caso você contratasse um pacote válido por 30 dias (de pífios 30MB), muitas vezes, ao invés de reduzir a velocidade ao atingir a quota (como estipula o contrato), eles simplesmente passavam a cobrar pelo uso de forma avulsa, zerando seu saldo de recarga em poucos segundos. Isso me obrigava a contratar o pacote diário, de R$ 0,50, onde isto não ocorria. O problema é que, quando chegava meia-noite, o mesmo expirava e caso eu não desativasse a conexão de dados antes de contratá-lo novamente, me era cobrado R$ 1,00 por um pacote de 10MB avulso, também válido por apenas um dia. Pode não parecer uma grande diferença, mas este valor corresponde ao dobro do anterior, resultando em R$ 30,00 gastos com internet ao invés de R$ 15,00 no decorrer de um mês.

Mesmo assim, estas dificuldades não me impediam de utilizar a internet 3G da Oi por quase todos os dias da minha vida. Perdia-se dinheiro daqui e dali, mas o serviço ao menos era prestado de forma minimamente decente. De uns meses pra cá, um ou dois no máximo, nem isso mais andava acontecendo. Como disse anteriormente, com acesso à rede 3G, eu obtia velocidades de até 300 kbps, sendo reduzidas para 50 kbps quando atingia o limite do pacote contratado. 50 kbps é muito pouco, mas não me impedia de ler uma ou outra notícia, abrir uma imagem que me enviavam ou utilizar o WhatsApp, cujo funcionamento dependende basicamente de se enviar e receber mensagens de texto. De um dia para o outro, a Oi passou a limitar minha conexão (independente de onde estivesse, indicando que não era um problema de localização ou sinal) a GPRS/EDGE (2G) e, mesmo dentro da franquia do pacote, a velocidade não passava dos 50 kbps, que antes eram uma limitação temporária e não regra, sem contar a latência que era muito pior. Fazer uma busca no Google havia se tornado quase impossível.

Insatisfeito com todos estes aborrecimentos e limitações artificiais impostas pela Oi, decidi mudar para a Vivo (o que está mais para uma volta à antiga rede da Telemig Celular do que uma mudança de fato). Esta decisão foi baseada não apenas no fato de que eu esperava uma melhoria, mesmo que pequena, na prestação do serviço de acesso à internet, como pela facilidade de ligar para algumas pessoas (o que inclui meus pais) na mesma operadora, pagando muito mais barato. De fato, de imediato notei uma certa melhora na velocidade de acesso, pois logo no primeiro teste obtive velocidades próximas a 1 Mbps (HSPA). A maior dificuldade, entretanto, não foi utilizar os serviços da Vivo e sim o processo de aquisição do chip.

Como me decidi pela mudança ainda no fim de semana, minha única opção era ir ao Montes Claros Shopping, onde há um estande da Vivo que provavelmente fica aberto todos os dias. Chegando lá, acompanhado pela minha namorada, me dirigi à vendedora informando-a que desejava adquirir um chip. Ela me perguntou se eu gostaria de realizar também a portabilidade do meu número atual, onde respondi que sim, mas que ela não se preocupasse, uma vez que posteriormente eu faria isto sozinho. Ela insistiu, dizendo que poderia realizar o processo rapidamente, e eu, não querendo contrariá-la, concordei.

Após alguns minutos digitando os dados do contrato e do processo de migração no computador, a vendedora me disse que eu deveria voltar dentre três e cinco dias para “resgatar” o novo chip. Não entendi a justificativa, do porque eu teria de me deslocar novamente ao estande da Vivo, gastando tempo e dinheiro com transporte, se eu poderia simplesmente sair dali com o chip e substituir o antigo, da Oi, quando o mesmo parasse de funcionar. Foi aí que falei: “moça, me venda o chip que eu mesmo faço o processo de portabilidade depois, como lhe disse quando cheguei aqui”. A partir deste momento, a vendedora me olhou com uma expressão que envolvia uma mistura de ódio e desprezo, como se eu estivesse fazendo pouco do trabalho dela quando na verdade eu só queria facilitar a vida de ambos nós dois.

Entendo que, como uma vendedora que lida diariamente com os clientes de uma grande operadora de telefonia móvel, ela deve esbarrar com todo tipo de pessoa. O Brasil possui mais linhas móveis do que habitantes já há alguns anos. Entretanto, não compreendo como um cliente que entende pelo menos parte dos processos envolvidos na utilização de um telefone celular (para efetuar a portabilidade na Vivo basta enviar e responder uma ou duas SMS) não possa andar com as próprias pernas. Ou ainda, como isto possa ser encarado quase como uma ofensa.

Após este impasse, ela concordou em me vender o chip, levando em conta que eu substituiria o antigo quando o mesmo parasse de funcionar, sem ter de visitar novamente o estande da Vivo. Ao final, ainda me perguntou se eu não tinha interesse em me cadastrar em alguma promoção. Eu disse apenas: “olha, eu tenho sim, mas deixa que eu mesmo faço isso em casa.”

Atualização: a portabilidade numérica foi requisitada no dia 14/04/2013 (Domingo) às 15h01m e completada no dia 17/04/2013 (Quarta-Feira) às 20h19m, segundo a Consulta da Operadora de Acessos Fixos e Móveis.