Alguns acontecimentos recentes têm evidenciado algumas coisas que provavelmente ocorrem em diversos cursos da Unimontes, mas tem se tornado mais aparentes no contexto qual vivencio diariamente, que é o do Departamento de Ciências da Computação, mais precisamente do Curso de Sistemas de Informação. A sensação atual é que estamos sendo abandonados, enquanto alunos, e não temos ninguém para nos amparar além de nós mesmos.

O surgimento de cursos voltados às engenharias, computação e tecnologia nas faculdades privadas de Montes Claros na última década não é de forma alguma algo ruim, pois a formação destes profissionais aqui na região foi e continua sendo uma necessidade. Porém, dada a carência de professores destas áreas, estes naturalmente passaram a integrar o corpo docente de mais de uma instituição de ensino simultaneamente. Esta não é a única causa, mas é dos principais motivos que levam muitos dos professores a estarem presentes na Unimontes, praticamente, apenas durante os horários para os quais foram designadas as disciplinas quais ministram. Nos casos mais graves, a impressão que se tem é que o cargo público qual estes profissionais detêm não passa de um “bico”, um emprego de menor importância, em caráter de complemento de renda, onde faz-se o mínimo para receber seu salário e nada mais.

Como muitos de vocês devem saber, um professor de ensino superior não recebe apenas para “estar em sala de aula”. Esta função, inclusive, corresponde por uma pequena parcela de sua carga horária, se comparadas as suas outras obrigações. É sabido que existem outros motivos que, se não impedem, ao menos desmotivam a permanência na universidade, tanto por alunos quanto professores, como a falta de estrutura adequada. Mas, ao mesmo tempo, isto gera outras indagações: como é possível para alguns poucos professores estarem praticamente todos os dias na universidade, dispostos a atender e orientar os alunos, se outros dão a entender que esta não é uma de suas obrigações?

Outro problema, tão quanto ou até mesmo mais preocupante do que este “abandono”, é a forma como algumas disciplinas são conduzidas em sala de aula. Seja por falta de compromisso, experiência, preparo ou vontade, muitas aulas são ministradas de forma completamente desmotivante, mais se aparentando a uma peça teatral mal ensaiada. O resultado, na maioria das vezes, são alunos aprovados sem muito esforço, para que não reclamem e o ciclo possa ser repetido no semestre seguinte. Os mais espertos saem felizes com a aprovação, mesmo cientes de que não aprenderam muito - no máximo perderam tempo - e os mais incautos, infelizmente, são preenchidos com uma pseudo sensação de aprendizado.

Esta postura passiva, porém, está começando a mudar. Muitos membros do corpo discente do Curso de Sistemas de Informação tem se manifestado contra estas práticas e estão dispostos a lutar por uma educação, no mínimo, decente. Não podemos assistir calados à derrocada do ensino no curso e na universidade qual estamos inseridos. As mudanças provavelmente não serão implementadas a curto prazo e muito menos de forma imediata, mas é um dever de ambos os lados, tanto de quem ensina quanto de quem é ensinado, que estas se tornem não menos do que permanentes.