Acompanhei durante praticamente toda a manhã de ontem, segunda-feira, a manifestação dos acadêmicos do Curso de Biologia (tanto licenciatura quanto bacharelado) da Unimontes. Com apitos, narizes de palhaço e barracas, sugerindo a possibilidade de acamparem em frente a reitoria até que suas reinvindicações fossem atendidas, o principal motivo de reclamação era a falta de salas de aula. Por mais que eu não entenda como pode ser possível que uma instituição de ensino (em qualquer nível) deixe a situação chegar a tal ponto, o mais calamitoso é o fato de nada disso ser novidade.

Quando cheguei à universidade, no segundo semestre de 2009, ainda no Curso de Matemática, fiquei confuso quando uma amiga que cursa Biologia me informou que tinha aulas no Prédio 02 (CCH) e não no Prédio 06 (CCBS), que é o centro qual seu curso faz parte. Não há nada de anormal em se realocar turmas em outros prédios que não o do seu centro (falando em salas de aula, já que no caso dos laboratórios a situação é mais delicada), visto que há toda uma estrutura existente não sendo utilizada. O problema é quando isso acontece ano após ano e nada é feito para solucionar o problema.

A Unimontes tem crescido, novos cursos estão sendo abertos, e isso tudo é muito bom não apenas para a instituição, como para a própria região. Mas como podemos observar em diversas outras situações (cidades, famílias, etc.), este crescimento não pode ser feito de forma desordenada. Vemos diversas (muitas mesmo) “salas” que foram formadas a partir da divisão (com aquelas divisórias plásticas) de outras salas. E mesmo assim, isso não resolve o problema, por ser apenas uma medida paliativa. O Curso de Engenharia Civil, por exemplo, inaugurado neste ano, já chega sofrendo com a carência de espaço: a turma do segundo período tem utilizado o auditório do CCET para as aulas.

No início deste ano, o Governador do Estado de Minas Gerais, Prof. Antônio Augusto Junho Anastasia, visitou o campus-sede da universidade para a inauguração do Restaurante Universitário e anunciou a construção de um auditório (de verdade, já que os que temos aqui nada mais são do que salas de aula equipadas com microfone). É fato que precisamos sim de um novo auditório, mas será se essa prioridade é maior do que a construção de um novo prédio voltado para salas de aula? Será se ninguém percebeu que isso afeta não apenas os possíveis novos cursos que poderão ser abertos, mas também os que já existem há muitos anos?

Voltando ao dia de ontem, não fiquei durante toda a tarde para acompanhar a movimentação, mas me parece que os manifestantes haviam conseguido agendar uma reunião com a reitoria da universidade para debaterem sobre o problema. Mais tarde, o jornal “O Norte” publicou uma nota da própria Unimontes se posicionando a respeito.

Espero que providências realmente sejam tomadas e a situção seja resolvida. O protesto foi bem organizado, pacífico e contou com o apoio de estudantes de outras universidades, como UFLA e UFMG, representantes da ENEBio (Entidade Nacional dos Estudantes de Biologia). A Polícia Militar chegou a ser chamada pois a segurança da universidade temia a invasão da reitoria. Conversando com os estudantes, os policiais perceberam que eles só haviam se aproximado do prédio por causa da sombra gerada pelo mesmo, para fugir do sol escaldante.