Neste fim de semana participei, juntamente com meus colegas Fernando Lucas e Pedro Henrique (os mesmos que me acompanham há quase um ano nestas competições), da I Maratona Mineira de Programação, sediada na cidade de Uberlândia e organizada pela UFU em parceria com o Grupo Algar. O evento em si foi impecável, os organizadores pensaram em tudo, literalmente. Até as garrafinhas de água mineral que estavam disponíveis em cada mesa foram substituídas por terem esquentado no decorrer da prova. Mas antes de falar sobre a maratona em si, gostaria de lhes contar como foi a viagem como um todo.

O deslocamento até Uberlândia foi ofertado sem custo algum pelo setor de transportes da Unimontes (o fato de ter sido de graça foi uma das poucas vantagens). Os ônibus não estavam disponíveis, até onde sei por não estarem em perfeitas condições de uso, e nos disponibilizaram uma van. Não sei exatamente qual o ano e modelo do veículo, que embora não seja velho, não foi projetado para viagens intermunicipais. O espaço interno é escasso (quem tem mais de 1,90m que o diga) e não há sequer porta-malas, apenas o espaço embaixo dos bancos para se colocar as malas (o que não é nem de longe suficiente). Nossa sorte é que uma equipe que a princípio iria conosco viajou um dia antes, liberando três assentos que foram utilizados para acomodar as bagagens.

Superadas as dificuldades de acomodação iniciais e o barulho irritante das caixas de isopor, que levavam água e refrigerante para serem consumidos no caminho (cortesia do Prof. Heveraldo), partimos para a rodovia. O estado de conservação da estrada me surpreendeu, exceto por um pequeno trecho completamente esburacado, que corresponde por uma pequena fração do percurso (algo em torno de meia hora). Como era de se esperar, sentimos calor no caminho e o motorista da van ligou o ar-condicionado. Estaria tudo bem se não fosse o fato de alguns integrantes (não é querendo acusar ninguém, viu Juliana e Lucas?) da equipe do curso de Engenharia de Sistemas terem bloqueado o exaustor com cobertores e travesseiros, o que fez com que o condicionador de ar mais parecesse um ventilador estragado.

Chegamos ao Campus Educação Física por volta das 17h da última sexta-feira, após trafegarmos por alguns minutos pela avenida que possui a maior quantidade de concessionárias por metro quadrado já vista neste estado. Ao adentrar o campus, que por mais que não tenha uma estrutura muito nova é bem bonito e mais se assemelha a um clube (tem até campo de basebol), nos deparamos com a seguinte faixa:

E o governo federal ainda tem a coragem de veicular propagandas na maior rede de televisão do país elogiando os investimentos na educação… De qualquer forma, a greve dos professores não impediu a realização da maratona e me pareceu que os demais servidores da universidade continuaram trabalhando. Pode ser que fossem apenas os terceirizados, o que inclui o pessoal da limpeza, segurança e responsáveis pelo restaurante universitário.

Por falar no RU, cabem aqui algumas observações e comparações. Por mais que tenhamos ficado no Campus Educação Física, jantamos na sexta-feira no RU da UFU, que fica no Campus Santa Mônica. Pode parecer longe, mas na verdade a distância que os separa é de menos de 1km. Lá a comida é servida nos clássicos “bandeijões” e não se tem opções, diferente do que acontece no RU da Unimontes, onde normalmente há duas alternativas de cada opção. O cardápio do dia é um só e você só pode escolher se vai comer ou não do arroz, feijão, carne, guarnição e salada. É preciso ficar esperto para que não lhe sirvam uma quantidade exagerada de comida. Eu, que odeio desperdícios, não consegui comer tudo que me foi servido. A parte boa é que lá existe algo parecido com um tonel de suco natural, onde você pode encher seu copo/caneca quantas vezes forem necessárias, mais uma vez, diferente do que acontece aqui na Unimontes onde sua refeição vem acompanhada de um minúsculo copo de suco artificial de 200ml.

Voltando ao ginásio onde iriamos dormir, tivemos a primeira surpresa desagradável da viagem. Nos foi dito que lá haveriam diversos colchonetes, destes pequenos utilizados em alongamentos e exercícios, que poderíamos utilizar para dormir, assim como um tatame. Bom, a parte do tatame era verdade. Só não nos contaram que o mesmo era mais duro que o chão. Os colchonetes eram pouquíssimos, não sendo suficientes nem para 10 pessoas das mais de 50 que lá passaram a noite. O pior é que muitos, assim como eu, não levaram colchões (e nem teria como, se este não fosse inflável, porque não caberia na van). Minha sorte foi que Carlão, meu prezado veterano colega de curso, já havia pegado dois colchões tamanho gigante, destes utilizados em prática de salto em altura, e caridosamente disponibilizou um para minha equipe.

Um dos momentos mais divertidos foi a hora do banho. No campus existem piscinas aquecidas e era de se esperar que pelo menos alguns chuveiros também o fossem, mas não foi isso que realmente aconteceu. Apenas o banheiro feminino e um banheiro masculino coletivo, desses “de cadeia” onde não há divisórias e todo mundo toma banho junto, possuem alguns poucos chuveiros com água quente. Como mesmo assim não consegui encontrar água nem que fosse morna para que pudesse banhar, resolvi encarar o chuveiro frio (leia-se gelado). Não me dou muito bem com banhos frios, mas como não havia escapatória, lá fui eu. Sabe aquela cena do filme Rambo II em que dão um banho de mangueira de bombeiro nele? Pois então, me senti o Rambo naquele momento. Nunca havia tomado banho com uma pressão da água tão forte. …

Pouco antes de dormir, presenciei uma das cenas mais inusitadas que já vi em toda a minha vida. Eu realmente achava que conseguia dormir de qualquer jeito em qualquer lugar. Já dormi até mesmo no chão de uma garagem, trajando apenas uma blusa de frio e nada mais. Mas não, eu não sei fazer isso. Quem sabe mesmo é Lucas Tamoios. Ele não levou colchonete, nem travesseiro, nem cobertor. Apenas uma colcha um pouco mais grossa que um forro de cama. E o que ele fez? Caminhou até o centro do tatame, jogou a colcha pra cima, se enrolou completamente a ponto de parecer uma múmia e dormiu desse jeito no frio da madrugada de Uberlândia, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Pra completar, no sábado de manhã, quando estou voltando do banheiro por volta das 6h da manhã, o vejo correndo em direção ao chuveiro citado anteriormente exclamando: “Banho frio! Banho Frio! Banho frio…”

Nesta mesma manhã ocorreu a segunda surpresa desagradável. Na noite anterior nos informaram que um ônibus, até onde entendi disponibilizado pela própria UFU, nos levaria, por volta das 7h45m, até a sede da UniAlgar, onde seria realizada a maratona. Depois de quase meia hora de atraso, descobrimos que teríamos de nos virar para chegar até lá. Se não fosse o ônibus alugado pelas faculdades particulares daqui de Montes Claros, nós provavelmente teríamos perdido o aquecimento que foi iniciado por volta das 9h. Com algumas pessoas em pé dentro do ônibus, seguimos até o local e conseguimos chegar a tempo.

Para evitar que esta postagem fique demasiadamente grande (maior do que já está) e torne a leitura exageradamente cansativa, estou dividindo-a em duas partes, sendo esta a primeira. Em breve postarei a segunda parte, descrevendo a realização do evento da I Maratona Mineira de Programação em si, que já lhes adianto que beirou a excelência.