Até hoje, em quase um ano de blog, publiquei aqui apenas textos de minha autoria. Porém, na segunda metade desta semana, chegou até mim um texto que merece ser publicado na íntegra, cujo autor é o Prof. Renato Dourado. Pra quem o conhece, não preciso comentar nada a respeito. Pra quem ainda não teve a oportunidade de conhecê-lo, digo apenas que lamento sua infelicidade em não ter contato com um professor de verdade, que realmente honra a camisa que veste.

Segue o texto, completamente inalterado, com sua devida permissão para publicação. Os destaques em negrito, inclusive, foram feitos pelo autor.

O Futuro do Departamento de Ciências da Computação da Unimontes: Uma (Breve) Reflexão

Prezados Colegas,

Hoje, 14/03/2012, conforme foi apresentado na última reunião do Departamento de Ciências da Computação, ocorreram algumas atividades promovidas pelo Centro Acadêmico e pela InfoBits. Eu participei das atividades que ocorreram de manhã e um fato me deixou profundamente decepcionado: além de mim, apenas os professores Allysson Steve, Heveraldo, Guilherme, Angélica, Patrícia, Renato Cota e Marcos Flávio estiveram presentes. Acredito que muitos de vocês, neste momento, devem estar refletindo sobre as eventuais justificativas que podem apresentar para a sua ausência: sou muito ocupado, tenho muitas coisas para fazer, estou fazendo pós-graduação, trabalho em outros lugares, quero dormir um pouco mais, etc. Ora, eu, como muitos de vocês sabem, trabalho na Unimontes, na UFMG e na FACIT e estou fazendo doutorado; sou, portanto, como todos vocês, um indivíduo ocupado. Entretanto, esforcei-me para poder colaborar, não apenas com a minha presença, mas também com uma apresentação que teve como objetivo apontar diversas questões que precisam ser discutidos por nós, docentes do Departamento de Ciências da Computação da Unimontes (eu esperava a presença de mais colegas). É claro que muitos de vocês não participaram por motivos sólidos. Mas é difícil acreditar que todos os colegas que não compareceram assim se comportaram em função de uma real impossibilidade: tenho a plena certeza de que muitos poderiam adaptar o seu dia para participar das atividades. Para isso, é necessária uma característica fundamental: interesse.

Passado o momento de decepção, fui tomado por um sentimento mais assustador: a preocupação com o futuro do Departamento de Ciências da Computação da Unimontes. Para que esta reflexão possa progredir, peço a você, caro colega, que pense sobre o seguinte questionamento:

  • O que você deseja para o futuro do Departamento de Ciências da Computação da Unimontes?

Assumindo que todos desejam um futuro promissor para o Departamento de Ciências da Computação da Unimontes, peço que você agora reflita sobre a seguinte questão:

  • O que você faz para que o futuro do Departamento de Ciências da Computação da Unimontes seja promissor?

Acredito que todos devem estar pensando: ora, eu dou aulas! Sim, é verdade, nós “damos” aulas! Mas isso é suficiente para que o futuro do DCC seja promissor? Para além de “dar” (boas) aulas, a contribuição mínima que cada um de nós pode dar para o crescimento do nosso departamento é empreender algum esforço para pelo menos estar presente nos eventos que ocorrem e/ou são organizados pelo próprio departamento. Incomoda-me intensamente escutar muitos colegas afirmando que os acadêmicos precisam ser menos passivos, que cada acadêmico deve ser mais do que “apenas um aluno” e perceber que no cotidiano cada um desses colegas é “apenas um professor”. A Universidade deve ser edificada tendo como base três elementos que devem ser indissociáveis: ensino, pesquisa e extensão. Sendo assim, reflita sobre o que, além de “dar aulas” (e essa ação, por si só, não representa de fato uma real contribuição para o ensino), você faz para que o futuro do DCC seja promissor: você empreende esforços em atividades de pesquisa e/ou em atividades de extensão? É claro que questões como remuneração e condições de trabalho são salutares para essa discussão, mas, tal como já comentei, a característica fundamental é o interesse.

Ingressei na Unimontes como docente em 2005 e tenho percebido que o nosso departamento progrediu pouco desde então: atrevo-me a dizer que ele ficou estagnado por grande parte do tempo que se passou entre 2005 e 2012. Hoje, dormirei triste, frustrado e preocupado: ao sentir a falta de interesse de meus colegas, pergunto-me quando a realidade de estagnação se transformará em decadência… Felizmente, o que aconteceu hoje também alimentou a minha esperança: o evento foi uma iniciativa dos acadêmicos: pelo menos alguns deles estão lutando contra a tentação de “ser apenas mais um”

Renato Dourado Maia