Neste segundo semestre de 2011 alguns participantes do GEAED não poderão comparecer a todas as reuniões. Alguns tem compromissos marcados pra mesma hora e outros, como eu, tem de pagar suas dependências (principalmente em Cálculo Diferencial e Integral). Chegamos à uma situação onde muitas vezes não seria possível reunir todos os integrantes após a aula (quando as reuniões normalmente acontecem). Em um primeiro momento a saída seria o afastamento temporário do grupo de estudos ou a postergação do cumprimento de algumas disciplinas em regime de dependência. Mas será que estas eram as melhores ou mesmo as únicas saídas?

No curso de Sistemas de Informação, além de estarmos intimamente inseridos na área de Tecnologia da Informação, trabalhamos diretamente com telecomunicações. Por que não juntar o melhor dos dois mundos? Esperar um momento onde todos possam estar presentes (fisicamente) no mesmo local para estudarmos não me parece muito inteligente. Parti então para a análise do caso: o que utilizamos durante as reuniões? Como ocorre a interação entre os participantes? De que forma isto poderia ser transplantado para o mundo virtual?

Utilizamos basicamente quatro ferramentas: um notebook, um projetor, o quadro-negro quando precisamos desenhar algo para modelar melhor um problema e nossas próprias vozes para comunicação. A parte mais simples e óbvia de se resolver foi esta última. O Skype existe há muitos anos e por mais que não seja perfeito (ligação caindo ou com ruídos, por exemplo), seria suficiente para nossa necessidade de comunicação por áudio (é possível reunir grupos de até 25 pessoas no plano gratuito). Com isto temos uma ferramenta a menos para nos preocupar.

No caso do projetor, bastaria apenas utilizar algum compartilhamento de tela. Não poderia ser um sistema de suporte remoto pois precisamos de várias pessoas se conectando simultaneamente. Pensei até mesmo em um utilizar um daqueles programas que simulam uma webcam mas na verdade capturam o desktop (ou qualquer outra coisa) em conjunto com um sistema de streaming como o Twitcam ou Ustream. O problema é que não podemos confiar na velocidade contratada das nossas conexões domésticas e na universidade é bloqueado qualquer tipo de streaming. Desta forma, a possibilidade de alguém não conseguir acompanhar o vídeo seria muito grande. Sem falar na demora do vídeo para ir do seu computador até o site e voltar pra quem está assistindo, algo que no Ustream demora em torno de 3 segundos. Pode parecer pouco, mas quando se trata de comunicação em tempo real, a discrepância entre o áudio no Skype e o vídeo no Ustream incomoda bastante.

Testei alguns outros programas e o ScreenStream se saiu muito bem. O problema é que ele age como um servidor, dependendo de um IP válido e/ou redirecionamento de porta, além de consumir algo em torno de 30KB/s com uma resolução de tela de 1024x768 pixels. Pra compartilhar com uma só pessoa seria perfeito, mas para algo entre 5 e 10 participantes seria muito difícil com um upload de 512kbps ou menos. Nisso me lembrei que o Teamviewer não depende de nada disso, assim como o envio da tela é feito para os servidores do mesmo e esta então é retransmitida. Mais surpreendente ainda foi descobrir que ele possui um modo feito unicamente para apresentação, sendo possível até mesmo passar o controle ou “trocar de lado” com um dos espectadores. E melhor ainda, isto tudo é de graça desde que seu uso não seja comercial.

E para o quadro-negro, nada que já não esteja presente em qualquer computador com Windows pelo menos desde 1995: o Microsoft Paint. Se até o Salman Khan o utiliza em um dos projetos mais incríveis que vi na educação nos últimos tempos, o Khan Academy, por que nós não podemos? Mesmo sendo um software pago e proprietário, o Paint está disponível até mesmo se seu notebook veio com a versão Starter Edition do Windows. O Skype e o Teamviewer estão disponíveis grauitamente, embora não sejam softwares livres, e ainda há planos pagos caso sua necessidade seja comercial (no caso do Teamviewer) ou o plano gratuito não seja suficiente (no caso do Skype).

Com apenas um pouco de criatividade, softwares largamente disponíveis na internet, e melhor ainda, sem tirar um centavo do bolso além da conta de luz e de conexão à internet, montamos um ambiente muito próximo do que temos quando estamos reunidos fisicamente. É por isso que sempre digo: temos muita sorte de sermos alunos de um curso de tecnologia em plenos “anos 10”. Imagino o que faríamos se fôssemos da primeira turma, quando o curso ainda se chamava “Ciências da Computação”, em 1996.