Antes de ingressar no curso de Sistemas de Informação da Unimontes, cursei Matemática por dois semestres na mesma universidade. Não posso dizer que saí de lá com as características de um bom matemático, mas este primeiro ano me serviu de muito aprendizado como um todo. Tive a sorte de ser aluno do Prof. Dr. Rosivaldo, que embora muitos alunos (principalmente calouros) não aprovem sua metodologia, é um dos melhores professores que já tive.

Não sei se é um problema comum a todos os cursos, mas pelo menos em nosso departamento temos diversos professores que embora muito exigentes não orientam o aluno corretamente. Concordo que ir ao quadro negro, escrever, explicar e esperar que o conteúdo entre magicamente na cabeça dos alunos não é a forma correta de instigar a busca pelo conhecimento. Mas ao mesmo tempo distribuir tópicos, bibliografias nada didáticas e dizer ao aluno “se vire” (acredite, todo aluno do curso de SI já ouviu isso mais de uma vez) também não o é.

Pois este não foi o caso do Prof. Rosivaldo. Certo dia ele nos disse que quem pretendia publicar algo no ramo da matemática deveria obrigatoriamente saber LaTeX. Foi um conselho simples. Ele apenas nos deu o nome de uma ferramenta, sugeriu que a estudássemos e o procurássemos em caso de dúvidas. Este último passo pode parecer irrisório, mas é exatamente onde diferenciamos um bom de um mau professor.

Em uma tarde descobri que o LaTeX é um processador de textos e não um editor em si (é mais fácil se você pensar nele como um “compilador de documentos”), baixei o MikTeX (embora hoje utilize o TeX Live), o WinShell e comecei a passar a aula anterior de Fundamentos da Matemática a limpo. Obviamente tive algumas dúvidas, mesmo utilizando o excelente guia “Introdução ao LaTeX” e no outro dia procurei o professor para ver se ele poderia me ajudar. A partir de então, tive todo o apoio necessário.

Recebi exemplos para comparar o código com o resultado e fui praticando, que é a melhor forma de aprender. No decorrer do semestre digitei uma apostila com notas de aula e posteriormente cursei como ouvinte a disciplina sobre LaTeX (optativa do Mestrado em Ciências Biológicas, ministrada no laboratório qual faço estágio). Hoje, sempre que possível, utilizo o LaTeX para digitação de trabalhos acadêmicos. Sua fonte e formatação características são facilmente reconhecíveis em qualquer lugar, como você pode ver neste exemplo retirado do Wikipedia.

De fato, algumas coisas simples como atender às regras da ABNT podem virar grandes dores de cabeça com o LaTeX. Se você precisa de um texto “pra ontem”, é mais fácil utilizar o Word. É necessário ter paciência, principalmente se você está começando. Mas não há coisa melhor do que perguntar ao professor qual padrão se deve utilizar quando ele pede que redijam um artigo e ouvir apenas: “… o padrão do LaTeX é suficiente.”

Para quem se interessou e quer saber por onde começar, sugiro o guia “Introdução ao LaTeX” citado anteriormente. Apenas com os comandos principais já dá pra se fazer muita coisa. Além disso, sempre que se quiser fazer algo qual não consta no guia basta consultar o Google, pois existe muito material disponível. Para quem deseja ler um livro completo (e gratuito) a respeito, existe o “The Not So Short Introduction to LATEX2ε”, cujo autor é o Tobias “Tobi” Oetiker.